Introdução
Este trabalho, aborda assuntos à respeito da cultura sena, que só foi
possivel graça uma enorme investigação e consulta bibliográfica que aborda
sobre este povo, que duma ou doutra maneira foi muito difícil de encontrar e
pela conversa ou consulta dos mais velhos falantes desta língua conseguiu-se
este trabalho.
A partir deste trabalho, pretende-se mostrar ou entender aquilo que foi ou
que são os senas, na manifestação da sua cultura a quando comparada com os seus
descendentes a maneira como estes encaram esta realidade de preservação ou
conservação destes valiosos valores oferecidos pelos seus antepassados.
CARACTERIZAÇÃO GEOGRÁFICA DOS MASENAS
Grupos e subgrupos
linguísticos
Segundo António Augusto Pereira (1924:2), o Chisena é uma língua banto
falada em ambas as margens do rio Zambeze, desde o Chinde até Tambara. Os
dialectos de Chiphodzo nas florestas de Chupanga e Chigombe na margem do norte
do rio zambeze é que representa uma mais antiga forma desta lingua.
Segundo o padre Díonísio Simbe, o Chisena apresenta as seguintes variantes:
Ø
Sena Gombe (Chigombe), falado nos
distritos de Caia, Mutarara, Chemba, parte do distrito de Tambara e parte do distrito
de Morrumbala (vale do rio Chire).
Ø
Sena Phodzo (Chiphodzo), falado nos
distritos de Marromeu, Mopeia e parte do distrito de Chinde.
Ø
Sena Rambara (Chirambara), falado em
toda zona alta do distrito de Morrumbala, sem se confundir com Chilolo, uma
língua ainda não escrita mas falada estritamente à volta da sede do distrito.
Ø
Sena Bángwe (Chibángwe), falado nos distritos
de Cheringoma, Muanza, Dondo, Nhamatanda e parte da Beira.
Ø
Sena Tonga (Chitonga), falado nos
distritos de Maríngwe, parte do Guro, Tambara e Gorongosa.
De um ponto de vista histórico, o estudo da língua Chisena é de maior
interesse. Pois, foi com esta língua que os primeiros Portugueses que subiram
pelo rio Zambeze se familiarizaram para introduzirem dentro da corte de Mwenemtapa.
Numéro de falantes
Segundo o INE (Instituto Nacional de Estatística), o Recenseamento
Geral da População e Habitação de 1997, exibe 1.065.518 falante em todo
território moçambicano, distribuidas nas seguintes percentagens:
|
Província
|
Total de população
|
Falantes Sena
|
Percentagem
|
|
Manica
|
974.208
|
104.240
|
10,7%
|
|
Sofala
|
1.289.309
|
604.690
|
46,9%
|
|
Tete
|
1.144.004
|
133.919
|
11,7%
|
|
Zambézia
|
2.891.000
|
222.669
|
7,7%
|
Segundo o dicionário Chisena-Português, do
padre Dionísio Simbe, o Chisena é falado em dois Paises vizinhos: Malawi e
Moçambique. No Malawi fala-se no sul, nas zonas de Nsanje e Chiromo, cujas
percentagens não tem-se em mão.
ORGANIZAÇÃO SÓCIO-POLÍTICA
Autoridade
Os “senas” no seu governo
tradicional há estados grandes onde reina um Nyakwawa (régulo), junto com um ajudante chamado Saphanda e uma assembleia de
conselheiros Mathubo. Uma pequena
povoação é governada por um pequeno chefe chamado Nfumu que é um termo usado para mostrar respeito para pessoa.
Normalmente em casa do Nyakwawa e
até mesmo Nfumu, tem tido um alpendre
(Matchesa), onde se resolvem
problemas da comunidade juntos com os seus Saphandas
e Mathubo.
O aviso da reunião tem sido por meio de toque de um batuque “nyanga”. Se o rei tiver uma maior
porção de terra a governar, ele tem mandado os seus ajudantes para avisar todos
os mafumos, onde cada um destes avisa
o seu povo. No julgamento, as sanções são feitas por torturas às pessoas
desprovidas de razão.
Formas de poder, eleição, sucessão e herança
No governo tradicional dos senas,
em todos reinados existe alguém que avisa o rei de acordo com a vontade do
espírito territorial da região. Este é chamado “Nhandalo”.
A terra é propriedade do régulo, cujo este, divide para diversos agregados
familiares.
Normalmente o rei ou régulo aponta um filho que lhe concede hábil para
tomar a herança do pai. Geralmente tem sido o filho primogénio, mas no caso de
morrer antes de apontar o filho, os saphandas e mathubo reunem-se para escolher
o filho do rei capaz de lhe suceder.
No dia de empossamento ocorrem cerimónias acompanhadas de muita festa, onde
não falta bebidas como sura, cabanga e nipa.
PROCESSOS DE CASAMENTOS/MATRIMÓNIO
Lobolo
Em relação ao
casamento, os senas são virilocais.
Além disso, os sena gozam de endogamismo, a regra de casamento que obriga o
indivíduo a escolher seu cônjuge dentro do mesmo grupo (local de parentes, de status,
etnia etc.) ou outro grupo a que pertença.
Segundo Gouveia
Osório, nos senas “phodzo”
distingue-se as seguintes fases de casamentos:
ü Luphato – declaração;
ü Mphete – confirmação do
ajuste e entrega de importância acordada;
ü Malimbico – transição do
namoro para o noivado oficial;
ü Maxungudzo – pedido formal
apresenado pelos pais do noivo, com oferendas de dinheiro, bebidas, panos, etc.;
ü Gogodo – lamento
ritualizado da mãe da noiva, feito perante o noivo, com o fim de lhe solicitar
presentes;
ü Sembwene – pagamento honorários
devido às anciãs que ministram a noiva os ensinamentos tradicionais.
Quando se chega o
tempo de escolher mulher para casar, o jovem dirige-se a um amigo, o Nhacubuzira e encarrega-o de procurar a
rapariga escolhida e de a informar sobre as suas pretenções. A escolha recai
numa rapariga que seja da sua raça, mas da familia diferente. Estes factos são
ainda reminiscências do totenismo e a escolha “endogamismo”.
No caso de ser
correspondido dirige-se então a uma mulher que possa ser sua madrinha ou
encarregada das “demarches” junto dos pais da futura noiva. Uma vez aceite o genro,
é submetido a uma cerimónia de “pedir serviço”, que é uma tradição que consiste
em o noivo, servir os sogros por alguns anos. Hoje, a exigência dos pais da
noiva compreende, duma maneira geral, a construção duma palhota, ou abertura de
uma machamba.
Para os sena, no dia de casamento, dia em que a
noiva vai deixar a casa paterna, as amigas e parentes vem despedir-se,
trazendo-lhe presentes, que são os mais variados e conforme as posses de cada
um oferecendo a mão , por sua vez, alguns cestos de cereais. Organiza-se, o
cortejo que conduz a futura esposa à casa do marido. Quando chegam despedem-se desejando-lhe
muitas felicidades.
Lá, a tia do
noivo é que conduz a rapariga à sua palhota e, ali, despe-a e deita-a numa
esteira sobre um lençol ou pano branco, onde fica à espera do marido que
permanece numa palhota próxima. Depois o noivo vai na palhota onde se encontra
a noiva para realizar o primeiro acto sexual. Findo o acto sexual, o noivo sai
da palhota e junta-se ao grupo que festeja as suas bodas. Entretanto, a tia e
outras mulheres vão verificar se consumou o acto e a noiva estava ou não
virgem. Apoderam-se do despejo e saem da palhota em grande algazarra, mostrando
o pano , como a forma de comunicar a todos que ela era pura.
Ficando a viver juntos, o marido que tratar a
sua esposa com especial carinho podia ser obsequiado pelos sogros com oferta de
uma segunda mulher geralmente irmã ou próxima parente da primeira. Este tipo de
matrimónio, é designado por ximbire e
é isento de mphete.
Concepção de família
As tribos sena,
uma pessoa pode ser identificada com dois aspectos: Dzindza e Ntupo.
Dentro da tribo podemos encontrar vários mitupos: ntupo é o nome de louvor de clã, e o nome de tabu, associado com
clã. Através do ntupo pode
identificar familiares distantes usando perguntas por ex: qual é o vosso ntupo?
RITOS DE INICIAÇÃO MASCULINO E FEMININO
Quando se chega a puberdade, os rapazes assim como as raparigas senas escolhem um nome que mais lhe
agradam, que duma maneira geral, é aquele que era conhecido seu avô paterno
(para os rapazes) ou sua avó paterna (nas raparigas).
O rapaz atinge a sua maior idade e capacidade para procriar, depois de um
exame previamente feito pelo tio, mais velho, do tronco paterno, ao produto das
suas seminações, necessárias a maturação para dar vida e gerar novos seres,
reconhecendo este, pela cor que apresenta e pela consistência que oferecem.
Este aconselha, então o sobrinho a procurar a mulher que mais lhe convenha e
agrade para se unir pelo casamento.
Os rapazes são insentivados neste período a procurarem “vhunguti”,
um fruto da planta Nvunguti. Corta-se
em pedaço este fruto, ainda fixo na árvore, ficando uma parte a crescer na
árvore enquanto que o outro pedaço é cortado e introduzido na garrafa com água
e vai se tomando enquanto se controla o crescimento do outro pedaço que ficou
na planta até ao tamanho que o rapaz deseje que o seu pénis tome. Daí corta-se
este último pedaço para marcar paragem ao crescimento do pénis para não
exagerar.
Além desta árvore usam raizes de alguns arbustros de nome “Nhandhima” as quais mandam secar depois
de trituradas e as outras são cortadas em pedaços e postas nas garrafas
juntando com água para se tomar, este facto tem o nome de mizinha que é usado para dar potência sexual.
Os senas geralmente não se
tatuam, não são sujeitos a iniciação sexual nem a circuncisão, o que não quer dizer
que não a façam, por vezes.
As raparigas são reconhecidas as suas capacidades procriadoras no inicio das
primeiras menstruações.
Neste período o “phungo”, um
grupo de parentes casados e que ja tenham concebido, é que lhes ensina os
segredos da vida sexual, modo de se encontrarem com os futuros maridos,
instruindo-as também sobre actos de purificação e higiene a manter na vida de
mulheres casadas e futuras mães.
As mulheres senas, quando chegam à puberdade tatuam a parte superior das
coxas e baixo-ventre, parte superior do tronco, membros superiores e face, como
simples adorno. Nao exageram as tatuagens, que são feitas por pequenas incisões
que podem ser coloridas pelo uso da casca da manga, colhida em verde, ou preta,
proviniente de uma untura de carvao ou plantas queimadas.
As meninas são ensinadas pelas madrinhas contratadas pelos seus pais, a
usarem “Mpfuta” sementes de nfuta (rícino)
para puxar os lábios da vagina.
As tatuagens da parte superior do tronco só algumas vezes tem relevo. No
entanto, o mesmo nao sucede com as da parte inferior do abdomen que representa
relevo, consideravel. Usam ainda cintos de missanga com várias cores e
enfeites, com fins de estimulação erótica, o qual cai sobre o baixo-ventre.
PRÁTICAS SÓCIO-CULTURAIS E ECONÓMICAS
O sistema parentesco e
construções
O sistema parentesco dos sena obedece
o sistema patrilinear, que consiste em os filhos pertencer aos homens, que
apesar disso, esses mantém uma relação muito forte com a família da mãe.
Segundo o Paul Schebesta, os aspectos principais da vida material dos senas
são palhotas quadradas de dois tipos: as lacustres e as construidas
directamente sobre o solo.
Práticas agrícolas
As praticas agricolas para os senas tem haver com a localização deste grupo
linguístico, onde os que se encontram mais proximo do rio Zambeze dedicam as
culturas como arroz, milho, batata-doce e pequena hortaliça.
Os que se localizam distante deste rio dedicam as
culturas como mexoeira, murumbi, mapira (gonkho), e praticam agricultura de
rendimento de algodão e um pouco de gergelim.
Para Rita
Ferreira na sua obra “Povos de Moçambique, Histórias e Culturas”, defende que o
trabalho agrícola para os senas é da responsabilidade da mulher, cabendo aos
homens apenas a derruba e a construção de defesas contra animais. Cultiva-se
milho, mapira, mexoeira, batata-doce e diversos tipos de arroz e feijão.
Nas regiões mais
altas e de solos mais leve surge o amendoim e a mandioca. Entre as árvores
frutiferas destaca-se a mangueira e sobretudo a bananeira. Juntamente com os
antecedentes, as palmeiras e alguns citrinos, concedem direitos de propriedade
sobre a terra ocupada.
Tipo de alimentação
O tipo de
alimentação tipica para os senas é a farina de mexoeira, seguindo de gonko “mapira”, milho, e tuberculos como
batata-doce, rizoma “mpama”.
Em termo de
frutos silvestres que os sena mais gostam são matondo, ndalala, nhongolo ndheme
e massanica, malambe, mpfula, para além de outros.
Cerimónias
Segundo Cabral António
(1924:29), nos senas, quando há morte, tem que se praticar a cerimónia de pita kufa.
Quando não se pratica, outras pessoas também podem adoecer e tossir sangue e até mesmo morrer.
Para cumprir a
cerimónia, matam uma galinha ou mais que representa a pessoa morta. Comem todos
juntos. Assim comunicam comunhão, e ficam purificados. Guardam os ossos e
quando outros vem de longe mais tarde, estes pegam os ossos, para mostrar
comunhão com a familia. Se leva um ano ou muito tempo para chegar, a familia
que vier de longe tem que tomar tabaco junto ou fumar do mesmo cigarro.
Antes de se
completar a cerimónia de pita kufa,
ninguém da família pode ter qualquer acto sexual e toda aldeia mantém o mesmo cuidado,
principalmente os que participaram directamente. Se alguém não cumprir esta
regra , deve ir ao dono da cerimónia para confessar para não sofrer as
consequências pelo incumprimento.
Para além de pita kufa, os senas são submetidos a
outros tipos de cerimonias, como: pita mazwade,
pita mphepo, pita moto entre outras.
A cerimónia de pita mazwadue,
consiste nas cerimonias pós-parto, para retirar o bébé dentro da casa, onde os progenitores
da ciança são submetidos a esta cerimónia.
A cerimónia de pita
mphepo, é feita quando há um aborto, ou quando a criança perde a vida
em menos de uma semana, que para a sua purificação são obrigados por tradição
os familiares em especial os de cumprir com o mandamento da tradição.
A cerimónia de pita moto,
é feita quando há um incêndio, que na explicação tradicional para o facto não venha
a ocorrer de outras vezes, os proprietários da casa, em especial os pais são
obrigados a ter relações sexuais como forma de purificar a casa.
Em geral, para os
senas cada algo maligno ou bom que acontece por exemplo na compra de qualquer
algo de valor, para garantir o bom funcionamento deste, tem que praticar uma
cerimónia.
O enterro
Os senas antes de
realizar o enterro, fazem uma dança de tristeza chamada utse, nesta dança usa-se um e único batuque.
Para os senas o
morto não deve ir impuro, com isto rapam-lhe a cabeça e os pêlos dos corpos e
vala-oconvinientemente; este trabalho é executado por individuos especializados
no assunto. O corpo é untado com óleo, especialmente as articulações, para que
não vá rígido para juntos dos espíritos. É vestido com outros panos e metido
numa cesta de caniço - “Khangala” cozido
nas extremidades com cascas de árvores.
A cova é aberta
numa mata (cemiterio), um pouco afastado das povoações. No dia seguinte faz-se
um cortejo que conduzirá o defunto à sua última morada. É aberto o cortejo por
alguns parantes e, depois, o esquife armado com caniço, com o morto dentro.
Quando chegam no
cemitério, o defunto é colocado no fundo da cova, onde depositam alguma comida
e restos dos cabelos e pêlos, para que nada lhe falte quando estiver junto dos
espíritos. Coberta a cova, depõem sobre ela os objectos, pertenças do morto, o
que distingue facilmente o local de uma sepultura.
Não lhe fazem
culto especial, pois pouco se importam com ele, a não ser para a cerimónia de
purificação que consiste em mais uma festa, com bastante bebida e comida em que
o morto tem a sua quota-parte, derramam a bebida sobre a campa.
Esta dança
chama-se “sedo” e usam nove batuques
de várias alturas. Os participantes põem máscara como se fosse um carnaval,
para animar e consolar a família enlutada. A dança “djagadja” é semelhante como “sedo”
e usa-se também para aliviar as pessoas com o mesmo tipo de sofrimento.
Se o defunto era um homem casado, a viúva é
herdada pelo cunhado, que tem por obrigação olhar pela familia do defunto. Se a
viúva, porém, passado alguns meses preferir casar com outro homem, nada a
impede de a fazer, findo aquele tempo considerado tabu. Os filhos do morto são
pertença do tio mais velho.
Ritos propociatórios
(morte de animas e festa)
Nos senas para além de pita kufa eles se dedicam outras
cerimónias como Ntsembe, cujo este se
distingue em dois aspectos:
Ntsembe para evocar os espíritos antepassados, neste
caso avó paterno, pai ou ambos, vão à uma árvore onde depositam um pouco dos
alimentos que consumiam os ancestrais da familia. É uma festa que envolve bebida específica de
nome bwadwa e mata-se animais como cabritos
e/ou galinhas, e caracteriza-se pelo uso de um tipo de cereais de nome murumbi, mexoeira para questões de massa
para alimentar crianças homens com objectivo de proteger a família no geral.
Ntsembe para evocar os espíritos dos antepassados
dirigentes, com objectivo de pedir a chuva devido a seca prolongada.
Caracteriza-se pelo uso de bebida nipa
e farinha, para o local de evocação e o autor de evocação deve ser o Nyakwawa, Saphanda ou Nfumo actual acompanhado pelos anciãos.
Vestuários
Segundo Edward B. Taylor (1971:22), cultura é aquele todo complexo que
inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos
os outros habitos e aptidoes adquirido pelo homem como membro da sociedade.
Para Malinowsk (1962:42), cultura é todo global consistente de implementos
e bens de consumo, de cartas constitucionais para os varios agrupamentos
sociais de ideias e ofícios humanos, de crenças e costumes.
Cultura material (ergologia), consite em coisas materiais, bens tangíveis,
incluindo instrumentos, artefactos e outros objectos materiais, fruto da
criação humana e resultante da determinação tecnológica. Abrangem produtos
concretos, técnicas, construções, normas e costumes que regularizam seu
emprego.
Para os senas, a cultura material baseia-se na roupa tradicional. A roupa tradicional
do povo sena foi muito influenciado pelos que fizeram os primeiros negócios no
rio Zambeze. Os homens utilizam kapundo,
as mulheres também utilizam roupas com mangas compridas.
Com influência destes comerciantes, o povo sena aprendeu a técnica de tecer
panos. As mulheres até hoje utilizam panos que cobre os seios e chegam até
abaixo de joelhos. As meninas são obrigadas de manter os seios cobertos. Depois
da cerimónia de gravidez (makhurundzu)
a senhora já não tem esta obrigação.
Dança
Os senas praticam danças culturais que não têm nada a ver com os demónios,
mas simplesmente fazem parte do património cultural. As danças são distintas e
facilmente reconhecidas. Todos sabem que aquele estilo é sena.
Para os senas são notáveis os seguintes tipos de danças:
Ø Sedo: uma dança que usa-se nove batuques de várias alturas,
dançada quando existe cerimónias de morte;
Ø Utse: uma dança de tristeza, com um só batuque, que pode ser
lata qualquer. Dança-se durante funerais, praticada antes de enterro;
Ø Djagadja: semelhante com “sedo”, dança-se de máscaras, para alegrar
pessoas depois de alguem morrer. Usam-se três batuques e todos os homens e mulheres
que sabem dançar podem participar;
Ø Manyalala: uma das danças que as mulheres realizam no casamento, é
educativa, cantam para ensinar o casal para que tenha respeito;
Ø Masesseto: quando uma menina atinge 14 anos, as jovens da mesma
idade (já iniciadas) dançam para ensinar a nova companheira. Os homens não são
admitidos para assistir a este tipo de dança. É simplesmente para as mulheres e
todas tiram roupa no processo de dança. A festa desta natureza muita das vezes
leva uma semana a se realizar;
Ø Makhurundzo: quando uma mulher casa e fica grávida de três meses, ela
é submetida a este tipo de dança, para mostrar que verdadeiramente está naquele
estado;
Ø Thati: é uma das cerimónias que se realiza depois de se tirar
dentro da casa um bebé récem-nascido. Realizam esta dança para ensinar a nova
mãe como tomar conta do bebé;
Ø Cikudzire: uma dança que se realiza em conjunto entre rapazes e
raparigas. Usam três batuques e acompanham batendo palma, é para ocasiões
especiais, só para alegria ou consolar um familiar depois dum falecimento;
Ø Likhuba: uma dança de rapazes com meninas, usam três batuques, com
o mesmo significado do cikudzire;
Ø Valimba: uma dança com música de marimba, todos dançam em
conjunto, por alegria para fazer festa a uma pessoa;
Ø Ngundula: uma dança para todos, semprem usam três batuques,
especialmente para os jovens, em festas quaisquer.
CONCLUSÃO
A cultura dos senas em nossos dias é um dos meios que nos atemoriza e nos
força a permanecer numa ignorância voluntária.
Como efeito, assiste-se nos dias de hoje um fenómeno que se caracteriza
pela fuga e negação das nossas culturas como se ela fosse vergonhosa e suja. A
sociedade olha para as suas culturas em particular dos senas, como prova do
fracasso do homem e consequentemente sublinha ao lado do horror e absurdo, do
sofrimento inútil e do escândalo insuportável dentro das sociedades senas.
As sociedades antigas tiveram méritos, respeito e dignidade pela
conservação das suas culturas, oferecendo aos jovens, a cada um e a toda
comunidade um caminho para a nova vida. Reparando a vista viva, actualmente não
há dignidade, respeito sobre as culturas dessa língua. Serve de fuga para
outras culturas diferentes dos senas.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
Arquidiocese da
Beira, actas da 3ª semana teologica, Moçambique, 1998.
FERREIRA, A.
Rita, Povos de Moçambique. História e cultura, edições
afrontamento/Porto.
MARTINS, Rego, Monografia
sobre os usos e costumes dos sena, Moçambique, 1960.
MEQUE, Domingos, Apontamentos
da cultura do povo sena, Moçambique.
Pe SIMBE
Dionísio, Dicionário Chisena-Português, editora RM, Maputo, Moçambique 2004.
Muito obrigado pela informação, ela será muito util para min.
ResponderEliminarPorém eu gostaria de ver como o povo sena veste-se nas sua cerimonias.